Terça-feira, Dezembro 05, 2006
Plantem flores ordinários!
(Vivian Luiz - 06.07.2004)

Continuamos nos perguntando até quando agüentaremos.
Suportaremos viver assim? Afundados numa lama que penetra nossos sentidos, modifica nossas razões, deturpa nossos conceitos.
Até quando?
Enfrentaremos enfim os dragões de São Jorge que ameaçam nossa felicidade? Tão pequena e frágil, bela flor inalcançável, pisoteada pela multidão de pessoas megalomaniacamente preocupadas com seus próprios problemas?
Pois eu digo uma coisa, não agüentaremos!
Peguemos esta visão perturbada do mundo (da vida, da alma), amassemos como um pedaço de papel esquecido em cima da velha estante empoeirada, e taquemos pela janela, como rebeldes dos anos 70!
Vivais! Encontrem dentro de si mesmos a humanidade já perdida nos caminhos estéreis por tempos percorridos.
Plantem flores em suas vidas.
Vivian Luiz - 11:30 AM
Quarta-feira, Novembro 15, 2006
Catherine
(05.11.2004)
Uma pequena boneca de porcelana.
Seu nome é Catherine.
Catherine sozinha em um canto. Empoeirada pelo tempo.
Vestidinho amassado com o vento.
Catherine não gosta de sorrir.
Observa tudo com seus olhos de botão.
Alimenta esperanças de um senão. Jogada ali no chão.
Catherine entregou-se sem ao menos existir.
Sua alma regozija-se com a falta de si mesma.
Vivian Luiz - 11:57 PM
Quarta-feira, Novembro 01, 2006
Hoje tem exatamente um ano que se passou.
Um ano de distância desse lugar.
Um lugar imaginário, virtual, repleto de visitas e pessoas que nunca vi, mas que julgo conhecer tão bem.
Um ano tumultuado, de reflexão, sofrimento, felicidade.
Mudança.
É bom estar de volta.
Espero que concordem...
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Entrego
Entrego.
Entrego ao tempo a razão de ser
O sentir, o tentar esquecer
O viver sem querer, por querer.
Entrego.
Entrego a mim o mais profundo amor
O carinho de pétalas em flor
De todos, o mais doce sabor.
Entrego.
Entrego ao vento os pensamentos insanos
O grito, o berro, o pranto
A pureza no mais triste canto.
E a ti...
Entrego os devaneios enlouquecidos
O florescer de todos os sentidos
A razão e o tempo esquecidos.
Vivian Luiz - 6:00 PM
Terça-feira, Novembro 01, 2005
Amor: Presente-mais-que-imperfeito
(Vivian Luiz - 16/09/2005)
Quem um dia soube o que é amor
Sabe que não se pode conjugá-lo no passado
Não amei, não amara
Tampouco amava
Amar é coisa de presente
Dura assim, eternamente
Como uma flor que não morreu...
Quem um dia soube o que é amor
Sabe que não se pode conjugá-lo no futuro
Não amarei, não amaria
Tampouco amá-lo-ia
O amor não se pode prever
Projetar, temporizar
O amor nasce no agora
Depois nunca vai embora
Como uma flor que só nasceu...
Quem um dia soube o que é amor
E já disse "Eu te amo" algum dia
Sabe que essa frase perduraria
Durante toda sua vida
Eu te amo, hoje e sempre
Amo tanto, eternamente
Como uma flor, que só nasceu
Cresceu, floresceu
E jamais morreu.
Vivian Luiz - 10:31 AM
Quinta-feira, Setembro 08, 2005
A Realidade de Anna
(Vivian Luiz - 08/07/2005)
Anna rodopia com seu vestidinho florido pelo jardim.
Anna tem somente sete anos.
Sete aniversários para se lembrar.
Se é que se lembra de algum...
Anna possui cabelos loiros e cacheados.
E seus cabelos soltos embaraçam com os abraços do vento.
Dizem que possui cachos de anjo.
Existem anjos em forma de criança?
Anna chora porque sente fome
E seu vestidinho remendado não é capaz de protegê-la do frio.
Um dia explicaram para o anjo dourado que ele é pobre.
Como se isso fosse realmente uma explicação para um anjo...
Anna gostaria de comer no restaurante.
E usar as roupinhas novas da vitrine.
Mamãe, porque eu não posso ter o que as outras meninas têm?
Anna, minha filha, vá brincar e deixe mamãe trabalhar...
Anna viu na televisão do vizinho que o presidente vai ajudar.
Mamãe! Mamãe! O nosso presidente vai nos dar pão, roupa e escola!
E a mãe olha para Anna, inocente como um anjo
Um dia, minha filha, você irá se fartar
Mas não será de comida, dinheiro ou conforto
Irá se fartar de tanto desgosto
Tanta mentira e corrupção
Irá amargar na miséria do esgoto
Endurecerá seu coração
E um dia, minha filha, minha Anna, meu anjo
Aprenderá que o que passa na televisão
Não passa de mentira, falácia, rasteira
Para o pobre povo, só enganação
Agora vá brincar e me deixe com a labuta
Do dia-a-dia, da água e sabão
Porque se depender desse moço
Você não comerá o seu pão
Vivian Luiz - 11:33 AM
Segunda-feira, Agosto 22, 2005
Surto
(Vivian Luiz - 22/08/2005)
Um grito. Um abraço. Um alento.
Sensação devoradora que te parte em pedaços.
Surto.
Uma lágrima. Um beijo. Pensamento.
Sensação arrasadora que te faz em frangalhos.
Surto.
Um amigo. Um carinho. Sentimento.
Sensação consoladora que te dá tantos agrados.
Surto.
Uma noite. Um livro. Argumento.
Realidade estirpadora que segue os meus passos.
Surto.
É hora de acordar.
Surtar, nunca mais.
Ou talvez amanhã.
Surto.
Vivian Luiz - 11:06 AM
Segunda-feira, Julho 25, 2005
Surto de inspiração recorrente.
Não ficou muito bom. Mas gostei de tê-lo escrito.
Sinto as palavras escapando aos borbulhões por entre meus lábios.
Escrevo
(Vivian Luiz - 25/07/05)
Escrevo porque minha alma está em minhas palavras... E o meu ser dissolve-se em melodias e rimas incalculáveis, intransponíveis, inenarráveis.
Escrevo porque sou Cecília, sou Sifo e Arimatéia.
Escrevo porque sou Vivian, e de todas uma só. Um emaranhado de pensamentos e sentimentos desconexos.
Quem sabe um dia alguém consiga entender.
Ou quem sabe me sentir. Como a pétala áspera de uma flor que não morreu.
Vivian Luiz - 12:36 PM
Terça-feira, Julho 19, 2005
Antes de tudo, gostaria de pedir desculpas aos meus leitores pela minha ausência aqui no blog, mas fiquei um pouco mais de um mês sem acesso doméstico à internet, e no meu novo emprego eu não tenho nem tempo nem acesso liberado para ficar postando aqui.
Mas agora a banda larga entrou na minha vida, e posso postar de casa :-)
Vou colocar aqui um poema antigo.
Caminhos de Maria
(Vivian Luiz - 15/11/2004)
Inigualável sentimento que atormenta
Entre dias, entre noites, entre tendas
Procurando algum sentido que compreendas
Entristecendo-te pouco a pouco por tua senda
Romaria de amores inacabados
Entre atos, entre fatos, entre laços
Anuncias ao Senhor o teu fracasso
Enfraqueces pouco a pouco, passo a passo
Maria! Não te vás, é cedo ainda
Experimentes o sabor que te dá a vida
Entregue-te aos prazeres de tua lida
Não me olhes assim, não sou santo
Entendo teu desespero, teu pranto
Continues caminhando, cantando.
Sofrendo.
Vivendo.
Calando.
Amando.
Vivian Luiz - 9:55 PM
Quinta-feira, Junho 09, 2005
(Vivian Luiz - 09/06/2005)

Vivian Luiz - 1:21 PM
Terça-feira, Maio 31, 2005
Artimanhas do Medo
(Vivian Luiz - 31/05/2005)
E não é raro sentir aquele frio na barriga. Um arrepio que sobe como tarântula pela espinha.
E o dormir atordoado por uma inquietação que vem de não sei onde. Vai para lugar nenhum.
E são as artimanhas do medo.
E o sentimento terrível que faz com que tenhamos vontade de gritar e gritar, até a garganta sangrar de um esforço inútil. Inócuo. Insuficiente. Incessatemente débil.
E essa debilidade nos deixa fracos. Tão fracos que uma pernada de vento já consegue nos quebrar.
E nosso pó então se junta à areia molhada da praia atormentada pela tempestade.
E a tempestade está dentro de nós mesmos.
E tudo isso não passa de artimanhas do medo.
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Janela e Jasmim
(Vivian Luiz - 31/05/2005)
Vejo uma lamparina bruxuleante na janela
Lembro-me da canção que você fez pra mim
Doce e sensível, como o fogo de uma vela
Atordoando meu coração de jasmim
Vejo um arranha-céus através da janela
Lembro-me do passado que guardei pra mim
Resistente e brilhoso, como a cera de uma vela
Almiscarado com o odor do jasmim
Vejo a chuva fina caindo na janela
Lembro-me do amor que eu sonhei pra mim
Lindo e delicado como o brilho de uma vela
Acariciando minhas pétalas de jasmim
Vejo um casal namorando na janela
Lembro-me da saudade que atormenta a mim
Triste e cruel, como o queimar de uma vela
Murchando minha flor, meu pequeno jasmim
Vejo raios de sol cruzando a janela
Lembro-me do calor quando você encontra a mim
Quente e agradável, como a cera de uma vela
Eu e você juntos, plantando jasmim.
Vivian Luiz - 12:01 PM
Sábado, Maio 14, 2005
Crônica das Estações
(Vivian Luiz - 13/05/2005)
Após ler a crônica "Fala Amendoeira" do Carlos Drummond de Andrade, fiquei convencida de que nossa vida é regida pelas estações que regem o ano. Cada característica da estação reflete-se nas fases de nossa vida. Algumas vezes, porém, as estações tranformam-se em crianças brincalhonas, e invadem o espaço da outra com seu egoísmo infantil.
Todos nascemos primavera. Cheiro de vida nova no ar, uma florzinha brotando no galho da família. A criança vai primaverando por aí, brotando, crescendo, colorida e feliz. Aquele aroma gostoso e doce. Pele de rosa, lírio e jasmim.
Enfim exibimos o verão. Fase brincalhona, que encanta a todos com seu brilho e efervescência. Um sorrisinho malicioso, iluminado pelos raios de sol. O verão é assim, leve e despudorado. Fica nu por aí, exibindo sua alegria e ofuscando os olhos alheios. Não gosta de ser contestado, é a fase mais abundante da vida.
Logo após começamos a outonar. O amadurecimento chega, as folhas perdem sua cor, árvores e gestos mais contidos. Uma sensação de aconchego. vontade de ficar em casa curtindo o bem estar da família.
E aquele ventinho gelado causando arrepio na pele. O inverno chega. Fase mais fechada, fica a observar as outrass fases da vida.
Tem saudades da alegria da primavera.
Do furor do verão.
Da calmaria do outono.
Mas não troca por nada a experiência de seu inverno. E aguarda, feliz, pela repetição das estações e o nascer de novas vidas.
Vivian Luiz - 12:26 AM
Quinta-feira, Maio 05, 2005
Estou sem muita inspiração para escrever.
Na verdade isso é mentira, estou inspiradíssima. Mas só estou escrevendo coisas meio sem pé nem cabeça.
Enfim, peguei o menos estranho para colocar aqui.
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(Vivian Luiz - 05/05/2005)
- Toc Toc.
- Quem é?
- Sou eu.
- Eu quem.
- Você.
- Então pode voltar para onde veio.
- Estou tentando. Abre a porta.
- Não.
- Mas por que não?
- Porque não quero que você volte.
- Mas eu sou você.
- Por isso mesmo.
Vivian Luiz - 4:14 PM
Terça-feira, Abril 26, 2005
Grandes, gordas e geladas.
(Vivian Luiz - 26/04/2005)
Estava simplesmente assim, parada como um relógio sem bateria. Uma sensação de vazio percorrendo as veias. Será que um dia as veias já se sentiram vazias? Inócuas? Acredito que não, mas em todo caso se elas pudessem ter essa sensação, seria exatamente desse jeito.
Aquela areia branquinha que voa leve com o temporal. Um temporal na praia, a revoada de gaivotas, perdidas entre as gotas gordas, gotas grandes. E aquela imensidão de água indo e vindo, movimentos cíclicos, repetitivos. Uma espécie de hipnose sensorial. E a pele ficando arrepiada com a maresia. E as gotas, gordas, grandes e geladas.
E a mente ali, completamente vazia, uma casa abandonada, só aquela poeira acumulada incomodando. Poeiras gordas, grandes. Casa gelada. E o sentir livre. Sentindo, sentindo, sentindo. Nada para impedir, nada para pensar, nada para fazer. Só sentir as veias vazias, a areia branca sob o temporal, as gotas, a poeira. Grandes, gordas e geladas.
Vivian Luiz - 11:06 AM
Quinta-feira, Abril 07, 2005
Face
(Vivian Luiz - 25/03/2004)
O vento frio das noites de outono esbarra na face. Cálida. Pálida. A descoberta tinha sido feita, mas mesmo assim não sabia: sabia que não sabia.
Rompe-se com os padrões, berra-se para o vazio. O que fazer agora? Retornar para o fim, caminhar para o início. Paradoxal, porém verdadeiro. E quem foi que disse que a alma é coerente? Quem afirmou que o caminho, tantas vezes torturante, é linear?
Conhecer é importante, desconhecer, necessário. Plantar no esquecimento os pilares da vida (ou será da morte?). Inventar o existente, criar o já dito. Eficaz polissemia.
É preciso continuar.
E o vento continua a esbarrar na face.
Vivian Luiz - 2:43 PM
Segunda-feira, Março 28, 2005
Minh'alma
(Vivian Luiz - 28/03/2005)
Minh'alma entrega-se sempre da mesma forma
Tal qual areia branca que se deixa tocar
Carinhosamente pelos braços da aurora
Intimamente pelas ondas do mar
Minh'alma canta o prazer de outrora
Mimeticamente coloca-se a voar
Como um condor, calmamente nesta hora
Planando livre sobre o ato de pensar
Minh'alma sonha os maios loucos devaneios
Alegremente solta, liberta de anseios
Passeia devagar, entretanto e entremeios
Minh'alma ama como criança travessa
Brinca, pula, canta, não pode ficar presa
Ama de mansinho, para acabar com a tristeza
(desta saudade insana que simplesmente não me deixa)
Vivian Luiz - 2:42 PM
Segunda-feira, Março 21, 2005
Hoje resolvi não postar um texto meu, como faço normalmente.
Farei algo diferente, mas é algo que não posso deixar de fazer. Uma onda de prazer me envolveu. E sinto-me impelida, quase como num dever social, de mostrar-lhes o epicentro que gerou essas ondas.
Vou reproduzir aqui só um pequeno trecho do escrito, mas é um trecho que se encaixa perfeitamente no conceito de sublime. Escrito por uma poetisa da antigüidade, chamada Safo, é um trecho onde a mistura das mais fortes e magníficas emoções é feita com maestria. A evocação do corpo e da alma, unão dos opostos. Um espetáculo lindo de se ler.
Hoje meu post é em homenagem a ela, que legou a todos nós uma obra de incrível paixão e beleza.
"Um rival dos deuses ele me parece, o homem que se encontra junto de ti face a face, ouvindo o doce tom da tua voz e o encanto do teu riso; é isso que me faz o coração agitar-se em meu peito. Pois, se olho para ti apenas por um momento, já não sou dona de minha voz, e minha língua jaz inútil e uma chama delicada crepita em minha pele. Já não vejo com os meus olhos, e os meus ouvidos se enchem de rumor. O suor banha o meu corpo , um tremor me domina da cabeça aos pés, e fico mais pálida que a grama. As forças me fogem, e sinto-me como se fosse morrer."
Vivian Luiz - 2:43 PM
Segunda-feira, Março 14, 2005
Você errou comigo meu amor
(Vivian Luiz - 14/03/2005)
Não, não me diga palavras tolas, elas não hão de me consolar. Você errou comigo meu amor. Trouxe consigo promessas vãs, que os ponteiros do tempo ainda vão apagar.
Um furor carregado pelas pernas do vento, ágeis e livres. Como nuvens brancas, pequenos cúmulos de leveza e alegria. Você errou comigo meu amor. Fez-me acreditar nas nuvens, que agora choram sua chuva límpida e gelada.
A beleza transcedente do momento mágico, os lábios com gosto de mel. Os braços do sol que abarcam os incólumes, iluminam os caminhos. Você errou comigo meu amor. Agora somente o prateado fraco da lua, amargo como fel.
Você errou comigo meu amor. Nem o tempo, nem o vento, nem as nuvens, nem o sol serão capazes de remendar este buraco na seda de nós dois.
Você errou comigo meu amor.
Agora suma daqui.
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Hoje vou postar uma música que me emocionou, quando a ouvi hoje no Colcha de Retalhos. Linda demais. Aliás, falando no Colcha, quem puder dê uma visitada, essa semana a Lela, dona do blog, me deuxou muito contente com um post em homenagem ao meu humilde cantinho literário. Muito obrigada!
Flor da Pele - Zeca Baleiro
Ando tão à flor da pele
que qualquer beijo de novela me faz chorar
ando tão à flor da pele
que teu olhar flor na janela me faz morrer
ando tão à flor da pele
que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
ando tão à flor da pele
que a minha pele tem o fogo do juízo final
um barco sem porto sem rumo sem vela cavalo sem sela
um bicho solto um cão sem dono um menino um bandido
às vezes me preservo noutras suicido
(para o final)
às vezes me preservo noutras suicido
* (oh sim eu estou tão cansado mas não pra dizer
que não acredito mais em você
...eu não preciso de muito dinheiro graças a deus
...mas vou tomar aquele velho navio
aquele velho navio)
um barco sem porto sem rumo sem vela cavalo sem se-la
um bicho solto um cão sem dono um menino um bandido
às vezes me preservo noutras suicido
Vivian Luiz - 10:49 AM
Terça-feira, Março 08, 2005

Vivian Luiz - 11:16 AM
Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005
Entre Amores
(Vivian Luiz ¿ 08/11/2004)
Entremeios
Entre passos
Entre fatos
Entre laços
Entre dias
Entre noites
Entrelinhas
Entre amores
Entre eu
Entre você
É o amor
Amanhecer
Entre nós
Entrelaçados
Estaremos
Abraçados
Vivian Luiz - 11:18 AM
Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005
Só mais uma olhada
(Vivian Luiz - 21/02/2005)
E a montanha parece cada vez menor, diminuindo proporcionalmente aos passos que dou na direção oposta.
Só mais uma olhada, depois disso eu paro.
Uma vez amei aquela montanha. Seu frio úmido, cortante, às vezes doía. Uma parte masoquista de meu ser que estava aflorada.
Só mais uma olhada, depois disso eu paro.
A montanha onde me recolhi por tanto tempo,esperando por uma compreensão que nunca veio. Nunca virá. Mas nada disso importa agora, só o fato de que nunca mais nos encontraremos.
Só mais uma olhada, depois disso eu paro.
Ah... tantas lembranças daquela montanha. Anos que se foram, não voltarão mais. Palavras esquecidas no vale daquelas rochas.
Só mais uma olhada, depois disso eu paro.
Mas agora a montanha está fria demais para que eu possa suportar. Minhas pernas tremem, meu coração chora. É chegada a hora de dizer adeus.
Parei.
Vivian Luiz - 3:33 PM
Terça-feira, Fevereiro 15, 2005
Rebelião
(Vivian Luiz - 15/02/2005)
Quase seis horas da tarde e o amontoado de papéis na sua mesa era cada vez maior. Mais parecia um complô universal, que fazia com que os piores e maiores trabalhos aparecessem sempre na hora anterior do final do expediente. E tudo era para "ontem".
- Dona Rita, dá uma revisada nesses papéis aqui, eles estão fora de ordem. Devem ser enviados ainda hoje ao departamento jurídico. Ainda hoje!
- Sim senhor. Sim senhor.
E assim eram os diálogos entre chefe e secretária. "ainda hoje" e "sim senhor". Tudo isso seguido de "gostaria de um cafezinho" e "diga que não estou". Uma rotina esmagadora, sem fim.
E não seria diferente nesta tarde. Mas deveria ser diferente. Era uma tarde especial, será que ele não percebeu? Esse porco maldito nunca percebe nada mesmo.
- Dona Rita, preciso do relatório do que foi enviado para o estoque nesta semana. Olha, preciso disso com urgência tá? Vê se não demora.
E sumiu atrás da porta.
Lágrimas de raiva ameaçavam brotar. Relatório? Urgente? Hoje? Sentia o sangue subindo sua cabeça, as mãos fechando e abrindo num movimento tenso.
Sacou da tesoura. Aquela tesoura sem fio um dia serviria para alguma coisa. Arremessou-se porta adentro da sala do senhor Carlos Augusto Paredes Rojas.
- O que é isto Dona Rita? Já não falei mil vezes que é para anunciar antes de entrar?
- Não vou fazer relatório nenhum.
- Dona Rita, a senhora está ficando doida? Quer perder seu emprego, quer?
(e a tesoura escorregando no suor de suas mãos)
- Olha aqui seu Carlos, estou cansada disso. Vamos colocar ordem neste escritório.
- Ordem? Você quer colocar ordem no meu escritório?
- Seu coisa nenhuma. Nosso. Cuido dele muito mais do que o senhor. E quero ser melhor tratada. Só aceitarei serviços novos até as quatro horas da tarde. Nem um minuto a mais. Se entregar depois disso fica pro outro dia.
- Mas eu te pago pra trabalhar até as seis Dona Rita!
- Só que assim fico com serviço até as sete!
- O que é isso na sua mão Dona Rita? O que está fazendo com esta tesoura? Dona Rita, acho que a senhora está muito nervosa. Dá a tesoura aqui e vamos conversar calmamente.
- Dou nada. A tesoura é pra minha garantia.
- Garantia de que?
- De que o senhor vai me ouvir oras.
- Dona Rita, vou chamar a segurança. Isso está passando dos limites!
- Vai chamar? Vai chamar, vai? Então olha só o que eu faço!!!
E Dona Rita saiu correndo porta afora da empresa, gritando para todos se levantarem e exigirem seus direitos. A tesoura na mão, servindo como bandeira. O tumulto aumentando pelos cantos, as vozes, antes em sussurros, começavam a bradar.
- Queremos nossos direitos! Chega desse trabalho! Fora o senhor Carlos! A empresa é nossa!
A passeata ia aumentando. O Senhor Carlos, desesperado, trancou sua porta. Ligou para a segurança:
- Alô, é da segurança? Preciso de vocês aqui rapazes, meus funcionários enlouqueceram. Estão preparando uma rebelião no andar.
- É isso aí senhor Carlos, estamos todos rebelados. O senhor não vai ter segurança nenhuma!
Pânico. Mais vozes do lado de fora. Aquilo era o som de cadeiras sendo quebradas? Sentiu o vibrar do celular no bolso, atendeu com a voz sôfrega:
- Alô. Quem é?
- Carlos, o que está acontecendo aí?
- Como assim mulher?
- Está dando na tevê um bafáfá danado aí na empresa!
- Na tevê? Como?
- Liga a tevê amor.
E lá estava o âncora do jornal, na frente de sua empresa. Câmeras, projetores.
- E aqui falamos, diretamente do escritório do senhor Carlos Augusto Paredes Rojas, onde está havendo uma rebelião de funcionários reinvidicando seus direitos. Vamos falar com a líder do movimento. Dona Rita, foi a senhora quem começou esta rebelião?
- Fui eu sim senhor.
(e a tesoura na mão)
- Mas Dona Rita, por que isso tudo?
- Porque eu quero trabalhar só até as seis. O senhor acredita que o patrão me dava trabalho grande faltando quinze minutos pra eu sair? Isso não se faz não, moço.
- É um absurdo Dona Rita! E fazem isso comigo também no jornal!
- E comigo também! - gritou o câmera.
- Então vamos, juntem-se a nós!
E lá se foi toda a equipe do jornal junto com os funcionários da empresa. Senhor Carlos ouviu os passos se distanciando, e percebeu que estavam todos indo fazer uma passeata na rua. E foram embora, Dona Rita com a tesoura na frente, e todo o povo atrás.
Desceu o elevador, pegou seu carro e foi embora. Chegando em casa, ainda desconcertado por tudo que aconteceu, ligou a televisão.
- Boa noite telespectadores. Eu sou o dono deste jornal, e estou aqui porque todos os meus funcionários se juntaram a maior passeata que este país já viu. Vocês podem ver na imagem aérea que ela já tomou conta de toda a cidade do Rio de Janeiro, e nos outros estados já começaram os movimentos solidários ao de Dona Rita. Agora ouviremos um pronunciamento do nosso presidente.
- Boa noite companheiros. Venho aqui informar que sou partidário do movimento de Dona Rita, e em apoio a ela, também vou parar com minhas funções, e me juntarei aos outros cidadãos nesta passeata, assim como todos os ministros, senadores e deputados. Vamos lutar por nossos direitos companheiros!
Piscou os olhos rapidamente. Não podia acreditar no que estava vendo. O presidente!
O alarme estridente do despertador o fez levantar da cama, suando, assustado. Tudo não passava de um pesadelo. Tomou um banho, vestiu-se rapidamente e saiu em direção da empresa.
- Bom dia seu Carlos. Tudo bem com o senhor?
- Bom dia Dona Rita. Olha Dona Rita, pode tirar folga hoje.
- Folga seu Carlos?
- É Dona Rita. Pode ir. Toma aqui cem reais pra senhora gastar hoje.
- Obrigada seu Carlos!
E lá se foi Dona Rita, contente da vida.
Melhor prevenir do que remediar...
Vivian Luiz - 12:35 PM
Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005
Amanhecer
(Vivian Luiz - 02/02/2005)
O frio deste verão faz com que tudo fique mais estranho. As pontas dos dedos, geladas, procuram por algo que as esquente. Algo bom de tocar, bom de sentir.
Poderia ser um alguém...
De repente o edredon parece maior que o necessário. Certamente caberia mais uma triste alma aqui. Quem sabe duas tristes almas juntas poderiam se tornar uma só alma feliz.
Um sentimento estranho que agoniza em contato com a solidão...
Pela fresta da janela os primeiros raios de sol, tímidos a brotar. Um rubor leve na face de quem quer se aquecer. O frio, ameaçado, resiste enquanto pode.
Os mesmos raios que brilharam ontem no entardecer...
Por fim um sentimento novo, rasgando o tédio da manhã. Talvez já seja hora de acordar. Um novo dia espera, pronto para ser descoberto.
Quem sabe amanhã não esteja só no amanhecer.
Vivian Luiz - 10:49 AM
Sexta-feira, Janeiro 28, 2005
Bate-papo com Deus
(Vivian Luiz - 28/01/2005)
Seis e meia da manhã, a mulher levanta da cama e sacode o marido.
- Amor, hoje bati um papo com Deus.
- Como assim? Pára de falar besteira mulher.
- Estou falando sério amor. Eu e Deus tivemos uma conversa.
- E quando foi isso?
- Agora pouco, enquanto eu estava dormindo.
- Você sonhou, foi isso. Agora volte a dormir.
- Eu não sonhei.
- Ah não? E como você pode provar isso?
- Deus me contou onde você esteve na quarta-feira durante a tarde.
- Ahn... como? Bem, pare de bobagens, são coisas da sua cabeça.
- Deus me contou que você esteve com uma jovenzinha de 20 anos.
- Esse seu Deus é maluco.
- Ele me contou que ela usava batom vermelho.
- Amor, fique calma.
- Eu estou calma.
- Então por que está falando essas coisas?
- Ora, porque Deus me contou.
- E o que mais ele te contou?
- Que você encontra com essa jovenzinha toda quarta-feira.
- E você acreditou?
- Acha que eu vou duvidar de Deus? Você está maluco??
- Pois deveria acreditar no seu marido.
- Mas você não é Deus.
- Não sou.
- Então, Deus me contou isso.
- E o que você vai fazer agora?
- Eu? Nada ué.
- Como nada? Você acaba de descobrir através de uma fofoca divina que eu estou te traindo e não vai fazer nada? Você não me ama mesmo!
- Então é verdade?
- E você não disse que tinha acreditado?
- Mas você está confessando não é?
- Mulher, não me enlouqueça. Você acredita nisso ou não?
- Acredito.
- Então deve ser verdade. O que vai ser de nós agora?
- Deus mandou eu pedir o divórcio e arrancar cada tostão seu.
- Mas esse seu Deus é um mercenário hein!
- Ele mandou. Você quer que eu desobedeça Deus?
- Não, não pode.
- Então pronto. Pode começar me dando a chave do seu carro.
- E pra onde você vai com o meu carro?
- Agora o carro é meu.
- Para onde você vai ?
- Procurar o advogado ué!
- E você lá tem advogado mulher?
- Deus me indicou um ótimo. Recém-formado. Um jovem lindo e fogoso de 25 anos.
- E o que você vai fazer lá?
- Tirar a roupa.
- Como assim tirar a roupa?
- Vamos fazer sexo enlouquecidamente.
- Mulher, você está me tirando do sério!
- Não sou mais sua mulher, sou mulher do advogado. Sua mulher é outra. Além de tudo, foi Deus quem mandou.
- E o que mais esse maldito Deus mandou você fazer?
- Ele disse que era pra eu te dizer que vou levar seus filhos embora também.
- Isso já é demais!
- E também para espalhar para todo mundo que você é um corno.
- Mas eu não sou corno!
- Mas vai ser a partir desta tarde.
- Ai meu Deus, diz que isso é um pesadelo.
- Pare de falar com Deus, ele conversa comigo, não com você.
- Amor, não vai, vamos conversar.
- Deus avisou que você tentaria conversar comigo. E que falaria que me ama, que foi coisa de momento. Tentaria me beijar para eu amolecer e você continuar me enganando.
- Esse seu Deus está de sacanagem comigo!
- Não, sacanagem é o que eu vou fazer com você.
- E o que você vai fazer comigo?
- Rir da sua cara.
- Como assim?
- Você é tão idiota que acredita numa história dessas!
- Ué, mas você não disse que é verdade?
- Mas eu posso só ter sonhado. Esse negócio parece muito absurdo.
- E o seu Deus?
- Não fale mais em Deus.
- Mas foi você mesma...
- Agora chega. Vamos parar de falar nisso. Temos que debater nossa relação.
- Ai meu Deus...
Vivian Luiz - 11:27 AM
Terça-feira, Janeiro 25, 2005
Bailarina
(Vivian Luiz - 06/12/2004)
Pensava em traduzir seus sentimentos. Transpassar durante horas tudo aquilo que pensava, enquanto os olhos abriam e fechavam num ritmo constante.
Do outro lado da rua havia uma bailarina. A leveza de seus movimentos transformava o barulho da multidão numa leve sinfonia por detrás do espetáculo.
O olhar longínquo daquela que dançava vestida de branco a fazia lembrar de sua infância, pura e sem preconceitos.
Gostaria que ela estivesse com os cabelos soltos para voar com os passos.
A sutileza daqueles movimentos contrastava com a dor que aquela bailarina sentia toda vez que ficava na ponta do pé. O asfalto grosso maltratando sua carne. E, mesmo assim, sua expressão era tão harmoniosa quanto seus passos graciosos.
Lembrou-se, então, de que seu coração era análogo àquela bailarina. Sentimentos tão bonitos e perfeitos que traziam consigo marcas difíceis de serem carregadas.
Acreditou, enfim, que também poderia ser feliz.
Vivian Luiz - 8:49 AM
Terça-feira, Janeiro 18, 2005
Consciente de Mário: na entrevista
(Vivian Luiz - 18/01/2005)
Dor. Aquela maldita dor novamente. Sabia que não devia colocar aquele sapato. Sempre aperta meu dedo mindinho, que fica espremido. Agora vêm aquelas pontadas latejantes no dedo. Sempre as mesmas pontadas latejantes.
Por que música de elevador tem que ser tão chata? Aliás, também gostaria de saber o porquê de todas as empresas de Recursos Humanos escolherem os andares mais altos dos prédios para se instalarem. Altura não é bom. Essa mania que as pessoas tem de construir edifícios cada vez maiores é realmente irritante. Quanto mais alto maior a queda, todo mundo sabe disso.
Tudo bem, concentração. Esse gordo está atravancando a saída do elevador. "Com licença?". As pessoas não se tocam mesmo. "Com licença, por favor?". Além de enorme é surdo. Era só o que faltava agora. Tudo bem, ele vai descer. Ótimo, livre daquela máquina transportadora de pessoas. Elevadores não são confiáveis. E o ar... aquele ar horrendo, todo mundo respirando junto. Pronto, aqui está melhor.
Não olhe pela janela. Não olhe. Estamos no décimo quarto andar sabia? Então não olhe pela janela. Isso não vai te fazer bem. Continue reto, pelo corredor. Água. Água seria bom. Aqueles bebedouros velhos que molham o rosto todo. Será que alguém aí já conheceu copos descartáveis? São práticos e higiênicos. Tudo bem, vai no bebedouro mesmo. Isso lembra a época de ginásio. Não, não vamos lembrar disso agora. Isso é passado. Foco no presente. Essa entrevista tem que ser boa. Causar boa impressão. Essa é a meta. Causar boa impressão.
Sala 1418. Para onde fica essa sala afinal? A sinalização é péssima aqui. Prédios tão modernos, nem uma plaquinha para dizer onde ficam as coisas. Vergonhoso isso. Acho que é para a esquerda. Isso, para a esquerda. Continue reto, evite a janela. Muito bom, estamos quase lá. Ei, que fila é essa? Aqui é a sala 1418 certo? Mas que diabos... tudo bem, aguardar. Sentado pelo menos. Essa dor está me matando. "Proibido fumar." Agora tudo quanto era lugar tem esse adesivo ridículo.
"Senhor Mário?". Isso mesmo querida, este é meu nome, deixe-me entrar logo nesta salinha e fazer a entrevista. Como assim ela não está? Como assim está doente? Marcar para outro dia? Mas eu quero fazer essa entrevista agora! Escute querida, não vou colocar estes malditos sapatos novamente. E isso é sério. Ok, não tem jeito certo? Semana que vem. Está bem então. Semana que vem.
O elevador. Aquela máquina pouco confiável. Melhor ir de escada dessa vez...
Vivian Luiz - 9:59 AM
Segunda-feira, Janeiro 17, 2005
Abaixo segue o texto Cheiro de Outono, que postei ontem, reescrito pelo Gil. Pedi para ele dar uma olhada, e então me ofereceu esta versão. Eu achei que ficou muito bom.
Cheiro de Outono Revisitado
(Gil Brandão - 17/01/2005)
Ele sabia que o outono.
Folhas amarelas começavam a cobrir as ruas, um tom sóbrio que tomava conta do céu.
Inspirar. Expirar. Repetir até a compreensão.
O outono possui um cheiro único, que lembra um pouco a tristeza.
Será que alguém mais consegue sentir o cheiro do outono?
Será que mais alguém sabe da tristeza contida no outono?
Não sabia o porquê de sua tristeza. Era algo seu mas tão estranho, vindo de dentro.
Ia e vinha de seu coração como um daqueles velhos rios.
Como uma rosa frágil e delicada num campo aberto e esquecido.
Esquecido. O cheiro do outono deveria ser esquecido.
A primavera demora a chegar...
Vivian Luiz - 3:47 PM
Domingo, Janeiro 16, 2005
Cheiro de Outono
(Vivian Luiz - 16/01/2005)
Ele sabia que o outono chegaria.
As folhas amareladas começavam a cobrir as ruas. O tom sóbrio tomava conta do céu.
Inspirar. Expirar. Repetir estes movimentos profundamente.
O outono possui um cheiro único. Cheiro que lembra um pouco a tristeza.
Será que alguém mais conseguia sentir o cheiro do outono?
Será que mais alguém sabia da tristeza contida no outono?
Não sabia o motivo de ser triste. Era algo estranho, que vinha de dentro.
Uma tristeza brotando aos poucos em seu coração.
Como uma rosa, frágil e delicada, num campo aberto e esquecido.
Esquecido. O cheiro do outono deveria ser esquecido.
A primavera demoraria a chegar...
Vivian Luiz - 5:54 PM
Quinta-feira, Janeiro 13, 2005

Vivian Luiz - 10:15 AM
Quarta-feira, Janeiro 12, 2005

Vivian Luiz - 10:25 AM
Terça-feira, Janeiro 11, 2005
Aconchego
(Vivian Luiz - 18/11/2004)
Os olhos ofuscados pelos raios dourados do dia ainda procuram por ti. Devaneios ensandecidos atormentam minha mente, com a lembrança de seus toques a cada mover do vento.
Ainda posso escutar os seus sussurros em meu ouvido... (por que você foi embora?)
Salamandras de lembranças incendeiam meu coração. O barulho do cair das ondas hipnotiza as gaivotas.
Ainda sinto o prazer do aconchego dos teus braços... (por que você foi embora?)
Soluços abafados a cada lágrima que escorre. A brisa fresca arrepia meus sentidos.
Ainda lembro das manhãs de carinho ao teu lado. (por que você foi embora?)
As lembranças não me deixam Anthonie.
Mas você me deixou.
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Escolhi este texto para inaugurar este blog. A idéia é fazer dele um blog literário, expondo textos meus e de conhecidos. Espero que apreciem.
Beijos para todos.
Vivian Luiz - 2:37 PM
Quem sou: Vivian Luiz
De onde: Rio de Janeiro
O que faço: Letras Port-Ing
Música: The Cure, Ramones, Bjork, Portishead,
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